O Ministério Público do estado de Goiás
protocolou hoje (27/02) denúncia criminal contra cinco envolvidos na
morte do radialista Valério Luiz de Oliveira, ocorrida no dia 5 de julho
de 2012. Foram denunciados o tabelião Maurício Borges Sampaio, o cabo
da Polícia Militar de Goiás Ademá Figuerêdo Aguiar; o 1º sargento da
PM-GO Djalma Gomes da Silva; além de Urbano de Carvalho Malta e Marcus
Vinícius Pereira Xavier.
Segundo relatado na denúncia pelos
promotores de Justiça Eni Lamounier, Maurício Gonçalves de Camargo e
Paulo Pereira dos Santos, o inquérito policial aponta que, no dia do
crime, por volta de 14 horas, a poucos metros da porta de saída da Rádio
Jornal 820 AM, o denunciado Ademá Filho, contando com a participação
dos demais denunciados, deu vários tiros na vítima, causando-lhe a morte
imediata.
De acordo com o inquérito policial, conduzido pela
delegada Adriana Ribeiro, da Delegacia de Investigações de Homicídios
(DIH), em razão das constantes e enfáticas críticas que o radialista
fazia à diretoria do time de futebol Atlético Clube Goianiense, da qual
Maurício Sampaio era vice-diretor, este mantinha acirrada animosidade e
ressentimento pela vítima. Conforme notícias constantes na apuração, os
desentendimentos duravam dois anos.
Segundo o inquérito, como
consequência destas desavenças, Maurício Sampaio, inclusive tentou,
junto à Diretoria da PUC-TV, afastar Valério Luiz da emissora, onde ele
mantinha um programa esportivo diário, chegando, inclusive, a oferecer
uma vantagem financeira à diretoria.

Consta ainda do inquérito
que, mesmo proibindo a entrada de equipes jornalísticas da Rádio Jornal
820 e da PUC-TV nas dependências do clube, sob a alegação de que Valério
Luiz era “persona non grata”, Maurício Sampaio passou a planejar a
morte da vítima.
Os detalhes
De acordo com a apuração
policial, o tabelião mantinha amizade com o tenente-coronel Urzeda, que
também fazia parte da diretoria do Atlético. Eram subordinados do
comandante os denunciados Ademá Figuerêdo, conhecido como Figuerêdo, e
Djalma da Silva, o “Da Silva”. Destas relações teve início o
planejamento do crime, tendo Maurício Sampaio como mandante.
Já
Urbano Malta era amigo do mandante, inclusive morava em uma casa do
tabelião, localizada estrategicamente em frente ao local onde ocorreu o
crime. Urbano e os dois militares também se conheciam e eventualmente
faziam segurança pessoal de Sampaio.
Por outro lado, o
comerciante Marcus Vinícius, conhecido como Marquinhos, era informante
de “Da Silva” e foi convidado por ele para participar do crime. No
planejamento do fato, coube a Marcus Vinícius emprestar ao executor a
moto, o capacete e a camiseta usados no momento do assassinato, além de
ter guardado em seu açougue a arma e o celular utilizados na prática do
delito. Por essa participação, recebeu certa importância em dinheiro,
que foi entregue pelo próprio “Da Silva”.
A arma utilizada no
evento foi entregue a Marcus Vinícius, no seu estabelecimento comercial,
por “Da Silva”. A fim de viabilizar a execução, Urbano habilitou dois
chips de celular dois dias antes do crime, os quais foram usados na
comunicação entre ele e Ademá no dia do evento.
Para consumar o
crime, Ademá Figuerêdo foi até o estabelecimento de Marquinhos, onde
apanhou a arma, o capacete, a moto, a camiseta e o telefone celular, e
dirigiu-se para o local do crime. No trajeto, ele comunicou-se com
Urbano, que estava na espreita nas proximidades da rádio, aguardando o
momento em que a vítima sairia. Assim, no desdobramento dos fatos,
Figuerêdo aproximou-se de Valério, que já estava dentro do veículo e
disparou vários tiros.
Os crimes
Os promotores denunciaram Ademá Figuerêdo e Maurício Borges Sampaio nas
sanções do artigo 121, § 2º, incisos I e IV (última figura) do Código
Penal - homicídio qualificado, mediante paga ou promessa de recompensa e
à traição, de emboscada. Os demais envolvidos foram denunciados no
artigo 121, § 2º, incisos I e IV (última figura) c/c artigo 29
(coautoria), todos do Código Penal. Clique aqui para ler a íntegra da denúncia.
Fonte: Portal do Ministério Público de Goiás (www.mp.go.gov.br)